Marcas são obrigadas a mudar cálculo de consumo

Nova portaria do Inmetro corrige médias calculadas pelas montadoras; entenda

Fabio Aro
Nova portaria do Inmetro exige que marcas realizem cálculos de consumo mais realistas
Você nunca conseguiu fazer com seu carro a mesma média de consumo divulgada pela fabricante? Pois você não está sozinho.
Os números divulgados pelas montadoras sempre seguiram uma norma oficial, a NBR 7024, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Essas médias, difíceis de serem reproduzidas na vida real, são obtidas em laboratórios, com combustível padrão, velocidade controlada, ambiente refrigerado e o carro sendo testado sobre dinamômetro. Ou seja, nada mais distante da realidade. Por isso, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) baixou a Portaria número 10, de 11 de janeiro deste ano, obrigando as montadoras a utilizar uma nova fórmula de cálculo. Os testes continuam a ser feitos da mesma forma, mas os números ali apurados precisam ser submetidos a um fator de correção. Com isso, tendem a ficar mais próximos das situações encontradas na vida real. Afinal no dia a dia o motorista enfrenta engarrafamentos, subidas, resistências aerodinâmicas, combustível adulterado. Além disso, põe bagagem no porta-malas, usa ar-condicionado, leva a família, etc.
Em suas considerações, a portaria do Inmetro diz, entre outras coisas, que é necessário “informar ao consumidor valores condizentes de consumo de combustível, em veículos de passageiros e comerciais leves, praticados em vias públicas brasileiras”. Com a norma, a portaria do Inmetro pretende aproximar as informações divulgadas pelas montadoras às médias obtidas pelos motoristas no “uso cotidiano” do automóvel. Pela nova metodologia, um veículo que segundo a fabricante fazia, por exemplo, 15 km;l, agora vai ter sua média rebaixada para cerca de 11 km;l. Não estranhe. Provavelmente, é o que você conseguia fazer com ele.
Para isso, desde o dia 15 de abril as fabricantes precisam utilizar a seguinte fórmula para divulgar as médias de consumo em manuais, prospectos comerciais ou qualquer outro meio:

Autoesporet
Novas equações para cálculo de consumo automotivo pelo Inmetro
A portaria, no entanto, deixa uma brecha para quem não quiser se enquadrar: em seu artigo primeiro, ela diz que, “quando disponibilizadas (...), as declarações deverão ter sua base de cálculos e procedimentos de acordo com os critérios da norma técnica ABNT NBR 7024 (...), sendo os valores obtidos reajustados de acordo com os critérios explicitados nos parágrafos abaixo”.
Isso significa que só precisam seguir as novas regras as montadoras que desejarem divulgar as médias de consumo. Honda a Toyota, por exemplo, não divulgam médias de consumo ou dados de desempenho, e provavelmente vão continuar assim. Marcas que normalmente fazem publicidade de seus números, ou vão se adequar às novas normas (o que deve significar um aumento de cerca de 30% no consumo divulgado), ou vão deixar de publicar a média de consumo de seus carros.

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